Degraus do Mundo

Uma viagem pelo mundo

Author: Claudia (page 1 of 7)

Nova Zelândia: o começo e o fim

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Chegar à Nova Zelândia tem um sabor agridoce. É o país que o imaginário do Hugo sempre projectou mas é, também, o nosso último país a visitar nesta viagem. Não estamos, ainda, preparados para regressar.

Tínhamos duas opções: ou víamos a Nova Zelândia como devia ser – sabe-se lá quando conseguiremos regressar e é um óptimo país para, de facto, correr de lés-a-lés – ou tentávamos dar um salto à América do Sul e ver duas cidades ou três, a correr, sem tempo ou dinheiro para gastar. Diga-se que este último factor foi aqui preponderante. Não se deu o caso de não termos feito bem contas à vida ou de termos gasto muito acima do que contávamos gastar. Em casa é que surgiram contas inesperadas que tinham que ser imediatamente cobertas sob pena de virem a tornar-se problemas desnecessários. Não havia volta a dar. Optámos, pois, por ver, calmamente, a Nova Zelândia.

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E a Nova Zelândia, meus queridos, é qualquer coisa. Temos milhares de fotografias e se assim o é tal deve-se à beleza natural extraordinária deste país que é tão diferente do seu vizinho do Norte. Não há bicheza muito estranha e as pessoas ainda são em menor número. E é a terra onde foram filmados os filmes do Senhor dos Anéis e do Hobbit. Como não podia deixar de ser, o Hugo é um fã inveterado do Universo da Terra Média pelo que, esta que vos escreve, andou à cata dos locais exactos onde o Frodo fez isto e onde o Nazgûl fez o outro e onde o Gandalf fugiu do zé-das-quantas. Com livro de coordenadas e GPS e tudo. Muito divertido mas altamente geek.

Mas iríamos encontrar um geek maior: Seu Fabrício Crema, amigo de uma amiga que nos recebeu, com doce sotaque brasileiro e coração italiano, em Auckland. Esse sim, minha gente, verdadeiro conhecedor de tudo o que se passou nos filmes, como e porquê. Num jantar em sua casa achei, a dada altura, que o meu rapaz e o nosso novo amigo tinham deixado de falar Português. Estavam numa de hobbitês.

HugoCPhoto_2015-08-10_06-02-46_615 of 965_24346Taberna em Hobbiton “Green Dragon Inn”

HugoCPhoto_2015-08-14_05-11-48_369 of 1504_28362O local onde Frodo se escondeu do Nazgûl

HugoCPhoto_2015-08-14_04-10-01_332 of 1504_28325Reconhecem?!

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HugoCPhoto_2015-08-25_04-29-07_240 of 1099_27134Cidade repleta de obras de SteamPunk? Oamaru, pois claro!

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A Nova Zelândia tem duas Ilhas, a do Norte a do Sul e é atravessada de fio a pavio por uma cordilheira. Mas como é, em termos de dimensão, bastante pequeno foi possível dar a volta às duas ilhas e ter delas uma muito boa ideia que, entre si, são bastante diferentes. De uma para a outra atravessa-se de barco e observam-se os fiordes lindos e as ovelhas nas montanhas. Eu e o Hugo, chegámos a Auckland de avião – pequenino quid pro quo logo à saída da Austrália com a exigência de um voo de saída da Nova Zelândia que nos obrigou a uma compra de um voo às pressas – e por aí tomámos a decisão de, por estarmos mais a Sul e o Inverno se estar a mostrar mais rigoroso, alugarmos um carro e irmos ficando em hostéis. Em termos de gastos seria praticamente igual pelo que optámos pela Omega Rental Cars, na escolha do carro e aí fomos nós. Tudo isto foi decidido com a ajuda dos sempre incansáveis amigos os I-sites, espalhados por todo o país. Em Auckland um muito simpático Chris ajudou-nos a decidir pela melhor e mais sensata opção.

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HugoCPhoto_2015-08-09_03-12-20_285 of 965_24016Cathedral Cove, das Crónicas de Narnia

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Um muito querido Fabrício Crema, que nunca nos tinha visto, levou-nos a jantar quando chegámos, deu-nos imensas dicas super valiosas no que se referia aos nossos planos e foi nessa mesma noite que me apercebi que ia andar à cata do Gollum. Oh, oh, pensei eu. Valeu, seu Fabrício! You’re the man!

Partimos de Auckland para regressar no meu aniversário, quase um mês depois. Decidimos que veríamos a cidade melhor no regresso e dali partimos para o seguinte percurso: Coromandel Peninsula, Matamata e Rotorua, Lake Tarawera, Waimangu, Lake Taupo, Tongariro National Park, Wellington; Ilha do Sul: Picton, Nelson, Greymouth, Fox Glaciar e Franz Josef, Mount Cook National Park, Lake Wanaka, Mount Aspiring, Maori Point, Queenstown, Invergargil, Catlins Forest Park, Dunedin, Otago Peninsula, Omaru, Lake Tekapo, Kaikoura, Christchurch.

Este post, por estar tão atrasado, vai ser muito mais reduzido, até porque a beleza da Nova Zelândia está nas paisagens. É um país onde vimos montes de focas e pinguins raros amarelos que só se avistam se estivermos escondidos, onde vivem os Maoris que fazem o Haka e onde as terras têm 45 letras, mantendo o nome Maori. É a terra onde há mais ovelhas que pessoas. É a terra de Mordor e dos hostéis governados por visitantes/woofers que trocam trabalho por alojamento. É a terra onde se avistam, de perto, as auroras australis. É a terra onde a estradas acabam sem avisar e onde, de súbito, onde só haviam montanhas nasce, incrivelmente, o mar.  Terra que um sismo abalou em 2008 e cujos estragos ainda se encontram à vista dos que passam em Christchurch. É o local onde se pára o carro de cinco em cinco minutos para tirar fotos e onde as vacas pousam para as fotos. É a terra dos Hobbits e em que toda a gente se orgulha disso. Terra das rochas em formas incríveis – absolutamente redondas ou recortadas em forma de panquecas. É a terra do estúdio Weta Cave que colocou a Nova Zelândia no mapa, em conjunto com Peter Jackson. Ir à Hobbiton é surreal mesmo que esteja a chover granizo! É a terra onde faz mesmo muito frio ( tentar dormir no carro foi idiota e uma lição para a vida), onde se fazem as mais belas e longas caminhadas que, por vezes, acabam num magnífico pedido de casamento. Foi o nosso caso; depois de uma caminhada fabulosa de 16 kms, à beira de um Lago Waimangu impassível e perfeito, polvilhado de cisnes negros delicados, fui pedida em casamento e não podia ter sido mais perfeito. Indescritível e soberbo como só o Hugo poderia planear.

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HugoCPhoto_2015-08-13_00-47-03_210 of 1504_28203Tongariro National Park (a casa do Mt. Doom)

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HugoCPhoto_2015-08-15_23-21-56_442 of 1504_28435Nelson, na costa da Baía da Tasmania, o local onde foi forjado o Anel

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Não é perfeito? Havia melhor forma de terminar esta volta ao Mundo? Havia, pois claro. Por isso não a terminámos. Vamos parar um pouco – estamos a apontar para uns anos (talvez até menos 🙂 ) – e retomar, logo que possível, o caminho até à Patagónia.

Estamos em casa há uns meses. A sensação estranhíssima de, nos transportes para o trabalho, num dia normal e corriqueiro, recordar o que vivemos, ver fotos no telefone e pensar: “Isto aconteceu mesmo? Foi real? Estivemos mesmo na Índia e na Nova Zelândia?  Subimos mesmo uma das montanha dos Himalaias? Vimos mesmo o nascer do Sol do topo de mais que um vulcão?”. Não parece real, parece que foi noutra vida. E é essa vida que nos cativa. Ir e voltar mas com planos de ir, de novo, ver mais. O Mundo é tão grande, tão belo, tão perfeito, tão diferente, tão deslumbrante que não há como dispensar as oportunidades todas que tivermos de ir ver o que há para lá da linha do horizonte. Sabe tão bem voltar a casa, sabem tão mas tão bem os abraços dos nossos mas uma parte do nosso coração não regressou a Portugal. Essa parte mantém a mochila às costas, continua a ver os horários dos comboios e a escolher comidas em menus ininteligíveis, a ser feliz andando, acordando sempre noutro lugar. A aprender a ler expressões em rostos tão diferentes, a deixar-se levar numa cultura, a ficar em silêncio a absorver a Mãe Natureza, bruta e crua, em todo o seu esplendor, a manifestar-se em árvores, animais e lagos de cores impossíveis para nos dizer que ela sim é a venerável. Ela sim é digna. Ela é este Mundo que não vamos querer parar de conhecer. Foi ela que fez as pessoas diferentes, as terras de cores diferentes e os mares com sais distintos. Foi ela que nos fez a todos e, lentamente, vamos esquecendo a dádiva incrível que é estar neste exacto momento, enquanto ainda há o que ver, no planeta Terra.

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HugoCPhoto_2015-08-17_05-58-11_778 of 1504_28771Punakaiki Pancake rocks

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Perguntaram-nos, há dias, o que tinha, em nós, mudado. Acho que os efeitos ainda não são todos visíveis mas o mais evidente estará a tolerância com o outro, uma ideia clara que o modelo ocidental não é o único, que há tantas outras formas de viver e estar na vida. Que não há fórmulas erradas mas que se não cuidarmos do planeta, então, tudo isto não vai ser visto pelos nossos filhos. Quando visitámos o Fox Glaciar vimos que o mesmo recuou dois quilómetros desde 1750. É incrível e avassalador. Quando estivemos a observar os pinguins disseram-nos que estão, também eles, em vias de extinção. A próxima geração, provavelmente, só os conhecerá de fotografias.

O que nos mudou para sempre nesta experiência foi ter a percepção do Mundo – na pequena parte que visitámos – e não ter outra opção do que estar profundamente agradecidos por termos tido esta oportunidade. Trabalhámos muito para aqui chegar mas tivemos muita sorte. É uma benção sem Deus. É um Mundo maravilhoso.

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HugoCPhoto_2015-08-22_07-13-42_1470 of 1504_29463Ir de carro para a praia ganhou, aqui, outro significado

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Nenhum de nós conseguiu ainda, passar um dia sem pensar em tudo o que vimos. E com isso vem um misto de pena e emoção. Ambos desejámos já, tantas e tantas vezes, ainda ter a mochila às costas e estar, amanhã mesmo, na fronteira de outro local qualquer. Eu tive muito medo de começar esta viagem, do que nos faria e do que faria às nossas vidas. Mas não mudaria nada nesta experiência e estarei para sempre grata por tudo o que a mesma me trouxe. Os resultados ainda não são evidentes mas em nós mudou, irremediavelmente, a vontade de estar, ser e viver em todo o lado. A Nova Zelândia em particular, desarmou-nos. Não esperávamos emocionar-nos à beira de um lago, com o nascer de uma manhã gelada noutra montanha. A Nova Zelândia foi a forma perfeita de encostar a porta a esta viagem mas será o nosso mote para, num deste dias, a retomar.

Hoje, dia 4 de Fevereiro de 2016, faz precisamente um ano que iniciámos a viagem. Que andámos com a vacina nas mãos, em gelo, pelo aeroporto de Londres. E esse dia mudou, para sempre, as nossas vidas. Daí em diante, tornámo-nos eternos viajantes. O tempo voou mas já estamos a planear a próxima viagem!

Mas falaremos mais disto, num post em breve. Até já e muito obrigada por nos acompanharem!

HugoCPhoto_2015-08-22_07-25-09_1489 of 1504_29482DdM – Degraus do Mundo 2015 numa praia em Invercargill enquanto esperávamos pela noite para ver a aurora australis

Sydney: cidade nova

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O caminho para Sydney, a cidade nova, parecia ser, ainda, longo.  De facto, é relevante o alerta que toda a gente nos tem feito pelo caminho: “Olhem que isto, por aqui, é muito grande!”.

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Ainda em Queensland mas em direcção a New South Wales (NSW) as extensões de terra parecem não acabar. Para mim, que vou à pendura, até é bastante divertido mas para quem conduz, como é o caso do Hugo, a imensidão de cana de açúcar ou as vacas ou as extensões de eucalipto durante 600kms por dia podem cansar. Optámos, pois, por fazer menos mas melhor. Parámos montes de vezes, mesmo em sítios que não lembravam a ninguém e nunca nos arrependemos. É, aliás, uma das grandes vantagens de termos a campervan: somos nós que mandamos. Mesmo velhota, só se recusou a subir uma encosta de gravilha e até fez bem porque, afinal, o café estava fechado. O que nos lembra, o café por aqui é horroroso. Foi numa destas paragens que cozinhámos durante a noite, de frontal na cabeça, rodeados de cangurus e furões, que com os olhinhos a brilhar no escuro, aguardavam que algum pedaçinho de comida caí-se ao chão. Sem sorte mates!

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HugoCPhoto_2015-07-21_04-46-10_740 of 1529_21892As caixas de correio imaginativas

HugoCPhoto_2015-07-21_04-52-32_745 of 1529_21897A caminho do nosso destino

HugoCPhoto_2015-07-21_04-59-04_750 of 1529_21902Sempre tudo arranjado, dá gosto parar e ficar a observar

A vida animal, é, já o dissemos, muito variada e olhando para as fotos verificamos que tirámos centenas delas, a tudo quanto foi bicho.

Rathdowney é uma terrinha simpatica sem muito que ver e que nos deu as boas vindas com um sol maravilhoso e com um lugar, no parque de campismo (Flanagan Reserve), mesmo à beira do rio. Prontamente veio o aviso do guarda florestal que nos indicou, “Não vão para o rio que tem crocodilos!”. E foi por lá também que vimos este canguru gigante.

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HugoCPhoto_2015-07-21_06-57-54_801 of 1529_21953Na Flanegan Reserve, onde pernoitamos

Em Tambourine, aproveitámos todas as indicações de miradouros e caminhadas pelas florestas que encontrámos. Embora o tempo estivesse mais frio valeu bem a pena. Umas cidades mais à frente uma nativa de Sydney empolgou-se  a dar-nos dicas sobre o que ver na sua cidade natal. Isto coincidiu com o dia em que o nosso fogão de campanha decidiu fazer uma audição para o quarteto fantástico: “Em chamas!”. O Hugo adorou já que lhe deu uma oportunidade de fazer uma fogueirinha, embora tivesse custado a pegar, os vizinhos do lado comoveram-se com as nossas tentativas de acender uma fogueira com lenha molhada e vieram trazer-nos umas brasinhas. Por aqui as pessoas têm sido sempre assim: afáveis, respeitadoras e solidárias. Gostamos disto. Foi nessa mesma fogueirinha que fizemos o jantar nesse dia. Isto antes de começar a chover. Cheirámos a fogueira durante dois dias mas foi óptimo jantar à beira do fogo.

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E a chuva perseguiu-nos até Surfers Paradise. Tivemos que usar a imaginação para visualizar uma praia cheia de surfistas nos anos 50/70, para imaginar o tal paraíso. O mar parecia bem bravo e as ondas não careceram de muita imaginação.

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Daí, já só paramos em Byron Bay. Byron Bay é uma cidadezinha dada a movimentos hippies, concentrações de surfistas, muita gente quimicamente relaxada e coisas do género. Mas, eu e o Hugo, estávamos, agora, numa de avistar baleias. A tal nativa de Sydney disse-nos onde podíamos tentar ver as moças sem nos metermos em tours.

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Em Byron Bay fizemos uma caminhada de 12kms para chegar a uma praia fabulosa em Cape Byron. Mesmo com o tempo farrusco avistámos a maior concentração de golfinhos que já alguma vez tinhamos visto nesta viagem. Um pôr-do-sol magnifico, uma praia quase deserta e os ocasionais surfistas que desafiavam o mar arreliado. Esta praia tem a particularidade de ter umas escadas situadas numa ilhota a que só se tem acesso quando a maré está baixa. Boa sorte a nossa, que a apanhámos mesmo nesse momento.

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Na manhã seguinte avistámos pela primeira vez um bichinho que não sabíamos que havia por aqui, um lama, ou como eles lhe chamam, Alpaca. Até voltámos para trás por achámos que tinhamos visto mal. O animal, segundo temos ideia, é nativo das Américas.  A paisagem mudou de repente, agora é tudo plano embora mais verde.

HugoCPhoto_2015-07-23_23-57-52_1009 of 1529_22161Uma alpaca no quintal lá de casa

O destino é, agora, Coffs Harbour. O porto é imenso e as vistas valem muito a pena. Mais uma vez, salientamos o facto de haverem miradouros, trilhos de caminhada, grelhadores eléctricos, casas de banho sempre limpas com papel e sabonete, postos de turismo de forma gratuita, cuidada e sempre disponível. Mas ainda nada de baleias.

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HugoCPhoto_2015-07-24_06-29-43_1048 of 1529_22200A vista de um dos miradouros em Coffs Harbour

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HugoCPhoto_2015-07-24_07-46-46_1096 of 1529_22248“Nada de baleias, ainda!”

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As praias por aqui, apesar de ser Inverno, convidam à caminhada. Ficámos dois dias em Coffs Harbour e numa das manhãs caminhámos pelo paredão enorme que liga a cidade a uma pequena ilha de onde, em dias bons, sempre se avistam as baleias durante esta altura do ano. E esse dia era um dos bons porque conseguimos ver as baleias, ao longe, e com o zoom no máximo avistámos as barbatanas dorsais, caudas e repuxos das baleias-de-bossa. Parecíamos dois tolos a apostar entre si que aquilo era ou não uma baleia. E era. Só não nos lembramos quem ganhou a aposta.

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HugoCPhoto_2015-07-25_02-06-19_1159 of 1529_22311Afinal é para aqui que as peças do Tetris vêm

HugoCPhoto_2015-07-25_02-41-05_1198 of 1529_22350“Será ou não será?”

HugoCPhoto_2015-07-25_02-41-05_1198 of 1529_22350 - Version 2“E é mesmo!”

HugoCPhoto_2015-07-25_02-53-03_1238 of 1529_22390“Bonito não é?”

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Era tempo de seguir viagem. Passamos por Nambuca Heads e dormimos em Port Macquarie.

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Um ferry catita fazia perguiçosamente a travessia do rio, acartando carros e pessoas para a outra margem. Já no parque da campismo quisemos ir ver o centro da terriola, mas queríamos ir a pé. E fomos, mas devemos ter andado uns bons 10kms porque o centro, no fim das contas, não era, de todo, ali ao lado. Mas como pareceu giro decidimos regressar na manhã seguinte para o cafézinho matinal. Uma cidade tão pequena tem ainda assim uma catedral, uma sala de espectáculos enorme, parques com os habituais grelhadores e imensa gente a passear à beira da água.

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Inspirado pelo ambiente relaxado, o Hugo decidiu que não se ia embora da Austrália sem antes ir tomar banho ao mar. Cá por mim tudo bem, vai, vai que eu fico a agarrar os óculos. Ele lá foi; estava fria e teve que vestir-se a correr mas ficou muito satisfeito. E um bocadinho roxo, mas ainda assim satisfeito. Este tipo é esquisito. A zona é linda, não admira que tanta gente dedique a sua reforma a andar pelo país.

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Daqui decidimos fugir outra vez da costa e conduzir em direcção ao interior, mais precisamente Hunter Valley. É uma zona que, na devida época, deve ser mesmo gira, com as colinas repletas de vinhas com o sol a convidar a piqueniques. Referimos a “devida época” porque nos deparámos com as vinhas despidas e uma zona que, sem essas, perde um bocadinho a graça. Mas os vinhos são bons e a simpatia de um dos comerciantes de vinho local fez-nos gastar pelo menos 2 horas a rir enquanto ele nos tentava ensinar calão australiano: “How much can a koala bear?!”. De facto, as vezes, não se percebe nada do que esta gente diz, mas lá que são engraçados são. E nós ainda achámos mais graça porque estávamos a fazer uma prova de vinhos da zona.HugoCPhoto_2015-07-26_06-03-07_1442 of 1529_22594 (1)

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HugoCPhoto_2015-07-27_03-51-25_6 of 275_19354Mais uma caixa de correio imaginativa, mantém as notícias quentes

Já estamos perto de Sydney mas ainda vamos ver as famosas Blue Mountains. Segundo nos contaram por aqui, as montanhas adquirem essa aura azul devido aos óleos libertados pelos eucaliptos. Antes de chegar a uma cidade que esperamos grande, queríamos matar as saudades da montanha e das paisagens imensas de fazer perder folego e vista. Fomos bem sucedidos porque a zona é absolutamente deslumbrante. O olho atento e a câmara pronta do Hugo dirão mais do que eu conseguirei descrever. Eis algumas fotos.

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HugoCPhoto_2015-07-28_08-23-03_113 of 275_19461The Three Sisters

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Para ver as Three Sisters metemo-nos por caminhadas e apanhámos a luz do pôr-do-sol a bater em cheio na formação rochosa. Antes do sol se pôr, as montanhas parecem, de facto, azuis. Ficámos mais um dia e no dia seguinte fomos explorar Katoomba e Leura. Nessa manhã descobrimnos de tudo: o café onde todos os dias é Natal, a arte urbana, o café decente (horaaayyy!), alguém que decidiu oferecer livros à porta de casa e Leura, uma vila amorosa cheia de vida, cafezinhos e lojinhas pitorescas, o melhor bolo de maçã que comemos desde há muito tempo. Daqui já só paramos em Sydney. Aí esperam-nos os amigos de infância do Hugo.

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Temos muita curiosidade quanto a Sydney. Activámos a passagem pela portagem (a única, para além de Brisbane, que encontrámos pelo caminho) e preparamo-nos para nos despedirmos da nossa Sandman.

HugoCPhoto_2015-07-24_06-36-41_1060 of 1529_22212Thanks ol’ gal

Pequeno à parte: a generosidade de quem nos recebe conhecendo-nos ou não, não nos vendo há quase 20 anos, tem sido absolutamente comovente. Entregam-nos sempre as chaves de casa, disponibilizam tempo e sorrisos, cozinham para nós durante a semana e deitam-se mais tarde para nos fazer companhia. Esta generosidade é algo que nos tomou, aos dois, desprevenidos; não sei se, antes disto, nos veríamos a fazer o mesmo. Mas a verdade é que todas as pessoas que nos receberam ampliaram o significado da palavra hospitalidade. Esperamos um dia retribuir de igual modo. Mais uma vez, obrigada.

O Hugo e os Simões conhecem-se desde sempre. Quando eles emigraram para a Austrália levaram o Francisco, cujo nome foi até a primeira palavra que o Hugo disse. Coisinha fofa. O Francisco, o Nuno e a Vânia são os três filhos da Adélia e do Luís que nos emprestaram a sua casa em Marrickville, nos arredores de Sydney, mesmo sem eles lá estarem. Uma caminha a sério, duche sem trinta pessoas à volta e comida caseira sem medo que o fogão explodisse. Isto é que é vida!

Marrickville tem uma grande comunidade de Portugueses e por todo o lado se ouve falar a nossa língua ainda que com umas palavras de inglês à mistura. O Nuno e a Sharon fizeram o jantar para nós no dia em que chegámos e aturaram-nos até às 2 da manhã apesar do seu dia de trabalho começar em regra às 7h. Adorámos, malta! Na manhã seguinte, iniciámos a descoberta de Sydney. E que cidade! Não dizemos isto muitas vezes, mas a gente mudava-se para aqui.

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HugoCPhoto_2015-07-30_05-59-50_57 of 493_23295A Sydney Bridge, a nossa vista preferida

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HugoCPhoto_2015-07-30_08-01-36_88 of 493_23326Bairro The Rocks

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HugoCPhoto_2015-07-30_08-35-26_104 of 493_23342A mistura de estilos

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Mistura eclética mas harmoniosa de estilos, tornando o panorama arquitectónico digno de queimar o céu da boca (piada australiana aprendida no Hunter Valley), tanta vida, moda, géneros, estilos, co-mi-da, e uma mistura alucinante de pessoas que nos fazem crer, por momentos, que estaríamos numa qualquer cidade asiática. Se me puser a enumerar todas as coisas fixes que vimos nunca mais saio daqui. As fotos falarão por si mas o bairro The Rocks, o Paddy Market, a Sydney Bridge, o Porto de Sydney, a padaria Dough Collective, o bairro Potts Point, a Kings Street e a vida, em geral, da cidade fazem de Sydney uma cidade a ver e rever. Ah e a Opera House, que, no meio de tanta coisa fabulosa, até passa meio despercebida.

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HugoCPhoto_2015-07-30_02-30-05_222 of 275_19570Edifício “Paper Bag” de Frank Gehry onde está a Business School

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HugoCPhoto_2015-07-30_04-57-32_272 of 275_19620“Men at work”

HugoCPhoto_2015-07-31_05-24-16_166 of 493_23404Perspectivas da Opera House

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HugoCPhoto_2015-07-31_06-49-48_206 of 493_23444Biblioteca de New South Wales

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HugoCPhoto_2015-07-31_09-18-32_230 of 493_23468Bairro de Potts Point

HugoCPhoto_2015-07-31_10-34-40_237 of 493_23475Apartamentos no porto de Sydney

Aconselhamos, muito, um passeio de ferry ao final da tarde e a caminhada entre Bondi Beach e Watsons Bay. Fa-bu-lo-so! Mesmo de Inverno é uma cidade relaxada mas cosmopolita que nos fez querer voltar já que os 6 dias que aqui passámos souberam a pouco.

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HugoCPhoto_2015-08-01_04-56-28_303 of 493_23541Bondi Beach

HugoCPhoto_2015-08-01_05-10-37_315 of 493_23553Bondi Beach

HugoCPhoto_2015-08-01_05-27-39_318 of 493_23556Hamburger de Salmão

HugoCPhoto_2015-08-01_05-27-45_319 of 493_23557Hamburger de peixe local

HugoCPhoto_2015-08-01_05-37-48_320 of 493_23558Barra de chocolate Mars (estranho mas era bom)

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HugoCPhoto_2015-08-01_08-02-46_385 of 493_23623Em Watsons Bay

HugoCPhoto_2015-08-01_08-14-11_396 of 493_23634A caminho do centro da cidade

HugoCPhoto_2015-08-01_08-24-25_416 of 493_23654Passeio de ferry ao pôr-do-sol

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HugoCPhoto_2015-08-01_08-29-08_432 of 493_23670O emblema de Sydney

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HugoCPhoto_2015-08-02_04-50-00_438 of 493_23676Co-mi-da!

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Mas ainda deu tempo para ir ver o Francisco numa tarde emocionante em que dois amigos se reviram ao final de quase 20 anos. Houve gente que chorou e não fui eu.

Deliciem-se com estas fotos e acreditem em nós, Sydney é uma das cidades mais vibrantes no Mundo. Até breve. Se tudo correr bem daqui a nada escrevemos da Nova Zelândia!

Austrália: caramelo e cangurus

O voo de Denpasar até Singapura foi turbulento. Aterrar em Singapura, das duas vezes que o fizemos, foi achocalhante. Ah, acabei de inventar uma palavra nova, segundo o Priberam. De todo o modo, desta vez fomos chatear um velho amigo do Hugo, o Tiago e a sua fabulosa mulher, Zsanette. Um casal lindo, recém-casado e que nos deu guarida na noite antes de embarcarmos para Perth. Comida boa e conversa melhor ainda e com direito a ” café da manhã de novela”. Obrigada e venham a Lisboa depressa!

Partir para Perth significou dizer adeus à Ásia e ir, finalmente, conhecer o país que chega ao ano novo sempre antes de nós. Claro, não antes sem uns soluços, do tipo, “Ah, espera lá e o visto?”. Preciosidades de quem, já cansado de trocas e baldrocas, já troca tudo. Mas correu tudo bem! E um voo tranquilo de cerca de cinco horas levou-nos até à Austrália. Mais precisamente a Perth onde, novo voo, também de cinco horas, nos deixou em Cairns. A Inês Figueira deu-nos uma ideia fabulosa quando falámos com ela acerca dos nossos planos que foi fazer a costa australiana, nomeadamente, a costa este de auto-caravana. Grande ideia e que adoptámos logo. Sempre teríamos uma “casa” dando-nos algum controlo do tempo, do que ver e quando e do que comer. A comida asiática é ma-ra-vi-lho-sa mas engorda para chuchu. A Austrália é especial para nós porque a Inês Teixeira e o Philip Baverstock têm família e/ou raízes aqui e deram-nos muito imaginário. Acresce a isto que o Hugo tem amigos de infância a viver em Sydney. Mas a Austrália é um país que podia bem ser um continente sozinho porque é enorme embora apenas tenha cerca de 23 milhões de habitantes. Mas é enooooormeee! E há tanto mas tanto para ver que tivemos que ser muito selectivos e deixar, infelizmente, muito para trás, nomeadamente o muito afamado Uluru perto – na medida australiana – de Alice Springs.

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O itnerário começaria em Cairns – raios me partam mas acho que nunca pronunciei isto de forma a que nenhum australiano me percebesse à primeira – e terminaria em Sydney. E fá-lo-íamos com uma campervan, ou seja, uma carrinha adaptada. Depois de muita pesquisa, porque a oferta é muita, decidimo-nos por uma carrinha da Travellers Auto Barn. A cama criava-se a partir da mesa e movéis e a cozinha ficava na parte de trás da carrinha. Parece complicado mas foi a nossa casa durante 22 dias e, às tantas, já era tudo automático. Jeitoso, só vos dizemos.

HugoCPhoto_2015-07-13_05-07-04_524 of 557_23205A nossa casa durante o mês que estivemos por terras australianas

HugoCPhoto_2015-07-12_05-32-56_378 of 557_23059Palmilhar a Austrália fora das estradas principais

A Austrália é tão grande que o Verão e o Inverno convivem no mesmo país tranquilamente. Em Cairns era Inverno, claro, mas sabia a um Verão ameno, havia gente na praia e chinelos no pé. Não usámos casacos e usámos calções. Mas à medida que se vai descendo para Sul, o Inverno mostrava-se cada vez mais real e menos Verão ameno. Mas de volta a Cairns. Cairns é uma cidadezinha pitoresca, pequenina. Nós chegámos em plenas férias escolares pelo que havia gente – não muita, porque não há muita gente em lado nenhum – por todo o lado, a curtir as férias. É uma cidade muito habituada, assim como as outras cidades que visitámos, a backpackers e trabalhadores sazonais mas é, acima de tudo, também como as outras cidades, uma cidade virada para a sua comunidade. Há parques, barbecues, casas de banho sempre limpas, centros de informação gratuitos e vários outros equipamentos públicos pensados para servir a população no seu tempo livre.

HugoCPhoto_2015-07-18_07-25-50_457 of 1529_21609Vários skateparks espalhados pelas praias

HugoCPhoto_2015-07-10_22-23-15_214 of 557_22895Praia na cidade à beira do mar, com direito a nadador salvador e tudo

HugoCPhoto_2015-07-10_22-14-26_202 of 557_22883Praia em Cairns

HugoCPhoto_2015-07-11_08-42-57_282 of 557_22963Pelicanos ao alcance de uma mão

HugoCPhoto_2015-07-11_08-28-59_264 of 557_22945Tartarugas Ninjas e Stromtroopers, esta Austrália tem de tudo

As lojas e restaurantes fecham muito cedo e mesmo a vida nocturna começa e acaba cedo. É um tipo de vida diferente da que nós vivemos em Portugal. Outra coisa bem diferente são, naturalmente, os preços. Upa, upa. As coisas são muito caras para um bolso europeu como o nosso e, nesse aspecto, a carrinha ajudou porque podíamos cozinhar e manter as coisas dentro de um orçamento mais ou menos controlado. Mas houve uma despesa com a qual não contámos mas que nos assaltou – figurada e literalmente – que foi o preço dos parques de campismo. Por aqui não se pode acampar em todo o lado e por acampar entenda-se estacionar o carro e dormir lá dentro arriscando, nesse caso, uma multa valente. A opção é ficar, sempre que possível em locais a que os australianos ou Aussies chamam, “Public rest areas” ou pagar um lugar num parque de campismo. O preço é, em regra, por adulto e a migração dos “grey nomads” para norte, em busca do Inverno ameno, puxou a tabela para a faixa da época alta. O que são grey nomads? São pessoas reformadas que compram ou alugam uma autocaravana, daquelas à séria com tudo lá dentro, e que migram para o norte quando o frio no sul começa a ameaçar apertar. E há muitos mas mesmo muitos por aí que aproveitam a sua reforma para passear e conhecer o seu país de lés a lés. E para isso são precisos muitos invernos, parece-nos.

HugoCPhoto_2015-07-09_00-02-10_13 of 557_22694Nos arredores de Cairns, as canas de açúcar e os campos tratados são uma constante

Ainda em Cairns haviam, todavia, duas experiências que não podíamos falhar: conhecer a Grande Barreira de Coral e a Floresta tropical. Para ver a floresta tropical – mal sabíamos nós que por toda a costa há como ver a dita – metemo-nos num comboio clássico que ia até Kuranda. Carote mas foi giro. Vai-se de comboio, atravessa-se a montanha, pára-se para ver a garganta de Byron e as cascatas. Kuranda em si não tem muito que ver, com uns cafés simpáticos e muita loja de souvenir e  de lá desce-se de skyrail. É uma espécie de teleférico que sobe mesmo muito alto, por cima das copas das gigantes árvores com paragens pelo caminho para sair e andar a pé pelo meio da floresta e, qual David Attenborough, procurar animais. Disseram-nos que veríamos cassawaries mas não vimos nadica de nada. Muitos pássaros e animais estranhos mas, no capítulo fauna, o melhor estaria fora daqui.

HugoCPhoto_2015-07-09_00-48-49_27 of 557_22708A bordo do Kuranda Scenic Railway

HugoCPhoto_2015-07-09_00-32-13_22 of 557_22703Uma das vistas a bordo do comboio

HugoCPhoto_2015-07-09_01-45-28_71 of 557_22752Kuranda Railway Station

HugoCPhoto_2015-07-09_03-30-25_117 of 557_22798Flor da floresta tropical

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HugoCPhoto_2015-07-09_03-17-32_110 of 557_22791Na floresta tropical de Kuranda

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HugoCPhoto_2015-07-09_03-06-13_101 of 557_22782A tentar não me esbardalhar

HugoCPhoto_2015-07-09_02-46-16_82 of 557_22763Um dos amiguinhos da floresta

HugoCPhoto_2015-07-13_03-28-56_499 of 557_23180Perú australiano

HugoCPhoto_2015-07-13_03-18-02_495 of 557_23176Tree-Wallaby

HugoCPhoto_2015-07-13_03-16-02_492 of 557_23173Cogumelos nas árvores

Dali regressámos a Cairns e fomos logo à procura de um agente que nos levasse a fazer snorkeling na barreira de coral sem nos levar o couro e o cabelo. Fomos bem sucedidos, ora não fossemos nós Portugueses! E a barreira de coral, meus amigos, é fenomenal. Chega a ser assustadora para caguinchas como eu que se assustam com verdadeiros vales debaixo do mar, profundos, de um azul cobalto, escondendo milhares de espécies de peixes e de corais. Lindo. Nós e mais duas dezenas de turistas snorkelámos (pimbas, verbo novo na caixa!) durante umas horas até ficarmos engelhados. O silêncio debaixo de água é apenas recortado pelos peixes papagaio que debicam ruidosamente o coral, transformando-o em areia fina. É por estas e outras que este duo tem que melhorar as suas capacidades de natação para poder aproveitar mais estes presentes da natureza que são, deste lado do Mundo, bem  guardados. É proibido pisar, recolher ou sequer tocar nos corais. E ainda bem já que seres humanos e coisas delicadas são em regra antónimos.

HugoCPhoto_2015-07-11_01-57-40_234 of 557_22915A grande barreira de coral ao largo

Regressámos com os olhos cheios de mar e cores e alinhavámos o plano para os  dias seguintes: a ideia é ir às Atherton Tablelands, Malanda, Cardwell, Townsville, Airlie Beach, Mackay, Marlborough, Rockhampton, Bundaberg, Hervey Bay, Noosa Heads, Sunshine Coast, Brisbane, Beaudesert, Rathdowney, Gold Cost, Byron Bay, Coffs Harbour, Nambuca Heads, Port Macquarie, Hunter Valley, Katoomba e Leura nas Blue Mountais e Sydney. De Cairns a Sydney, segundo as nossas contas, contando com desvios, conduziremos mais de 4000 kms, sendo que só podemos conduzir de dia. Pegámos na carrinha e lá fomos. Não sem antes uns ajustes porque aqui se conduz à esquerda e os sinais são – como é que eu digo isto? – por extenso.

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A condução pelas estradas na Austrália é muito diferente da condução em países de dimensões menos megalómanas. Por aqui as cidadezinhas ficam a centenas de quilómetros umas das outras, é tudo longe e a estrada, quase sempre a direito, pode tornar-se muito monótona. Por meu lado ia a tirar fotos e a procurar cangurus e coalas nas árvores. Mas o Hugo enfrentou com a bravura que sempre lhe assiste a tarefa de nos conduzir com segurança a cada paragem. A sinistralidade por aqui é uma realidade dura. Por todo o lado grandes placards incentivam os condutores a parar, a tomar café, a descansar e a não morrer. Literalmente. Em todo o lado se lê: “Rest or R.I.P.”. E a quantidade absurda de animais mortos à beira da estrada que, durante a noite, se aventuram a atravessar as estradas? O pessoal da Autobarn avisou-nos que não poderiamos conduzir durante a noite porque o seguro não cobria acidentes nessa altura. Obedecemos (quase sempre). Mas a razão é essa mesmo: a bicharada marsupial decide ir às compras ao outro lado da estrada durante a noite e ao amanhecer, contribuindo para muitos acidentes que só não causam mais danos porque este pessoal por aqui tem carros com uma grelhas frontais adequadas para abalroar tanques de guerra. Adiante.

HugoCPhoto_2015-07-19_03-07-02_513 of 1529_21665Jogos de trivial ao longo da estrada

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Não queríamos ver só mar, queríamos ver um pouco do interior sem nos afastarmos, todavia, muito da linha costeira. Por isso atravessámos as Atherton Tablelands e valeu muito a pena. Ora vejam!

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HugoCPhoto_2015-07-12_06-35-14_409 of 557_23090Curtain Fig Tree

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A imensidão de terra sem casas, pessoas, vedações ou outro sinal de humanidade que não a estrada deu-nos uma ideia do que é viver por aqui. Centenas de quilómetros sem ver mais que vacas e ovelhas e cana de açúcar.

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Não fazíamos ideia mas a Austrália, nomeadamente no estado de Queensland, produz grande parte do açúcar consumido em todo o Mundo pelo que a vastidão de canas de açúcar e de comboios que as transportam já ceifadas é gigante. E não há como resisitir ao cheiro a caramelo que esta terra tem, por isso mesmo. É doce, é bonito e muito tranquilo. As cidades onde fomos parando para beber café, abastecer ou dormir eram sempre muito pequenas, com meia dúzia de casas e ainda menos pessoas. Mas em todas sem excepção haviam pessoas nos barbeques públicos a grelhar carne, em família e a beber cerveja, a aproveitar o Sol e a benesse de viverem num país de beleza natural incrível.  Abrem-se os vidros do carro e cheira a carne grelhada e caramelo e quando se estaciona as pessoas saudam-nos sempre: “G’Day!” ou “How is it going?”. Catita ou quê? São muito simpáticos, especialmente nas cidades pequeninas. E oferecem sempre ajuda e perguntam de onde vimos e para onde vamos. De toda a gente ouvimos dicas de melhores rotas ou ideias de coisas para fazer.

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A comida? Ora, carne e batata frita, que pergunta! Bifes massivos de vaca ou borrego que mal cabem no prato. Olhem este! Foi no parque de campismo em Marlborough.

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Mas Rockhampton é que é a capital do bife da Austrália (o pesosal por aqui abreviou o nome – como fazem a quase tudo – para Rocky) e parece uma cidade de cowboys. De facto, o pessoal anda por ali de chapéu e botas à cowboy. É giro e os bifes também eram bons. O Hugo não disse maravilhas da cerveja local. Mas Rockhampton teve um grande highlight: um zoo com entrada grátis e foi lá que vimos dingos, coalas, cangurus, wombats e o muito famoso e quase extinto cassawary. Ah e crocodilos. Fora da jaula dos crocodilos havia um aviso que nos fez ter muito cuidadinho a andar por ali: “Cuidado que pode cruzar-se com crocodilos, fora da jaula”. Parecendo que não é chato ir ao zoo e vir de lá sem uma pernita. Muito populares também são as caminhadas ou bushwalks e por aqui também fizemos umas quantas.

HugoCPhoto_2015-07-16_06-48-18_260 of 1529_21412Em Rockhampton cruzamos o Trópico de Capricórnio

HugoCPhoto_2015-07-16_02-36-34_142 of 1529_21294Digam “olá” ao carteiro

HugoCPhoto_2015-07-16_12-25-56_329 of 1529_21481O melhor local para comer a comida local em Rocky

HugoCPhoto_2015-07-16_10-58-10_313 of 1529_21465Parece ou não parece que estamos num filme?

HugoCPhoto_2015-07-16_11-26-51_325 of 1529_21477Venha de lá esse bife!

HugoCPhoto_2015-07-16_11-26-39_324 of 1529_21476Siga!

HugoCPhoto_2015-07-16_07-37-49_288 of 1529_21440Bushwalking

HugoCPhoto_2015-07-16_07-39-34_290 of 1529_21442Go figure!

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HugoCPhoto_2015-07-16_03-38-53_220 of 1529_21372Dingo

HugoCPhoto_2015-07-16_03-23-43_207 of 1529_21359Wombat

HugoCPhoto_2015-07-16_03-21-07_201 of 1529_21353Koala

HugoCPhoto_2015-07-16_03-17-47_200 of 1529_21352Croc

HugoCPhoto_2015-07-16_03-16-22_198 of 1529_21350Kangaroo

HugoCPhoto_2015-07-16_03-10-23_190 of 1529_21342Papagaios

HugoCPhoto_2015-07-16_03-05-56_175 of 1529_21327Papagaio

HugoCPhoto_2015-07-16_03-05-05_172 of 1529_21324Reaper

HugoCPhoto_2015-07-16_03-01-00_168 of 1529_21320Cassawary

Uns dias depois parámos em Bundaberg onde há um rum especial feito da cana do açúcar. A cidade é gira tem uns edifícios mais antigos e uma estação de correios que consta do roteiro de visita obrigatória. Há ainda a dizer que todas as cidades austarlianas têm, maior ou mais pequeno, um memorial às pessoas perdidas durante as guerras. Bundaberg não é excepção.

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 Foi em Hervey Bay que vimos um jogo, que nos fez lembrar muito a malha, a ser jogado por senhores de mais idade com um formalismo muito britânico (Bowls) e onde vimos um pôr-do-sol absolutamente magnífico depois de uma bela caminhada pela praia deserta (Inverno, pois claro) onde nos debruçámos sobre este fenómeno que, soubemos à posteriori, é criado pelo pequenino caranguejo da praia. Artista o moço! Ah e morcegos do tamanho do Batman. Irra, pareciam águias, verdadinha. Nos parques de campismo onde fomos ficando, houvessem ou não cozinhas, nós cozinhámos porque tinhamos um fogão de campanha. E correu bem até o mesmo decidir começar a arder descontroladamente. Cenas.

HugoCPhoto_2015-07-18_06-42-16_428 of 1529_21580Bowls

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HugoCPhoto_2015-07-18_06-49-22_435 of 1529_21587Galáxias feitas pelo carangueijo da praia

HugoCPhoto_2015-07-18_07-04-55_449 of 1529_21601Hervey Bay

HugoCPhoto_2015-07-18_09-00-48_480 of 1529_21632Hervey Bay ao anoitecer

HugoCPhoto_2015-07-19_01-31-01_488 of 1529_21640Hervey Bay de manhã

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Depois de mais umas quantas paragens chegámos à maior cidade que já tinhamos visto na Austrália: Brisbane. Muito diferente do que tínhamos visto até aí e nós escorrupichámos bem o que a cidade tinha para oferecer. Ele é transportes turísticos de borla, passeios pelo rio, gente em passo muito mais acelerado, muitos locais giros para jantar – os preços empurraram-nos quase sempre para comida em “casa” – e mais equipamentos sociais que incluiam uma praia no meio da cidade fora do mar que, por ali, é meio perigoso dados os habitantes locais: crocodilo, alforrecas assassinas e tubarão. As pessoas que já tinham cá vindo disseram-nos que era óptimo que fossemos no Inverno: “Na Austrália tudo mata e, de Verão, os assassinos são a triplicar”. Coiso. Brisbane é giro e fomos ao museu de Queensland e vimos estes tipos por lá. Novamente, de entrada grátis. Adorámos. Por cá, a Wi-fi é miragem, a rede telefónica só funciona na auto-estrada e nos centros urbanos e, como é o caso da Queens Mall, nem sempre se pode fumar na rua. Vê-se muita gente a viver na rua embora este seja um país com declarados, longos e simpáticos apoios sociais.

HugoCPhoto_2015-07-20_02-18-04_542 of 1529_21694Brisbane, a capital do estado de Queensland

HugoCPhoto_2015-07-20_06-41-40_645 of 1529_21797Proibido fumar em algumas ruas da cidade

HugoCPhoto_2015-07-20_05-11-26_619 of 1529_21771Os autocarros têm acessos privilegiados e directos ao centro da cidade

HugoCPhoto_2015-07-20_04-49-56_610 of 1529_21762Pelas ruas de Brisbane

HugoCPhoto_2015-07-20_04-48-40_609 of 1529_21761A praia no meio da cidade

HugoCPhoto_2015-07-20_04-46-47_607 of 1529_21759Em pleno parque da cidade

HugoCPhoto_2015-07-20_04-27-00_590 of 1529_21742Pelas ruas da cidade

HugoCPhoto_2015-07-20_06-01-10_634 of 1529_21786Bicho-pau no museu de Queensland

HugoCPhoto_2015-07-20_05-59-17_632 of 1529_21784Gecko no museu de Queensland

HugoCPhoto_2015-07-20_05-58-47_631 of 1529_21783Cobra Pitão no museu de Queensland

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Caramba, escrevemos demais. Próxima paragem Sydney! Até já!

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Indonésia: Bali a pena

Riquezas dos nossos corações, os amigos Indonésios, começaram este ano a cobrar pelos vistos. Pimbas, 70$ à cabeça para abrir a pestana. Ai, ai, valerá isto a pena? Atão, não Bali? Piada óbvia mas bem certeira.

A nossa história com Bali remonta a Goa. No grupo que conhecemos por lá e que foi connosco à Festa do Holi, estava a Merja que nos falou de um sítio quase mágico em Bali que seria Ubud. Digam o que disserem os guias, nós gostamos de explorar as sugestões de quem conhecemos pelo caminho. E foi em Ubud que ficámos, na Ilha de Bali. Ubud é o paraíso para vegetarianos e yogis, muito zen, tranquilo, boa onda e caro. Bem, caro para os padrões indonésios, diga-se. Mas é bonito.

HugoCPhoto_2015-06-25_09-01-15_141 of 525_18964A entrada das casas que dão normalmente para um pátio

HugoCPhoto_2015-06-25_09-06-50_142 of 525_18965Templo privado, no interior de um pátio

HugoCPhoto_2015-06-25_09-00-33_140 of 525_18963Gentes e rituais

HugoCPhoto_2015-06-25_08-57-47_138 of 525_18961Detalhes

Em Ubud, assim como um pouco por toda a Ilha de Bali, a religião é hindu balinesa. É muito diferente do hinduísmo indiano mas é vivido com igual fervor. Isso significa oferendas diárias e muitos rituais que achámos muito engraçados. Tudo merece oferenda e reza, carros, scoters, casas e pessoas. É, também, terra de café e do bom, dizem-vos estes cafézeiros. Mas a comida local é difícil de encontrar em Ubud, já que esta cidade cresceu em torno das necessidades dos turistas do yoga. Isso fez-nos ver gente a pagar por água alcalina ao copo que, segundo o rótulo, dava anos de vida. Ora, eu não sei mas a última água que dava anos de vida era do Indiana Jones e, se bem me lembro, essa história não acabava bem. Coisas! Mas comemos muita comida boa, vegetariana ou assim-assim, bem como da local. Essa também era bem boa!

HugoCPhoto_2015-06-25_08-55-25_136 of 525_18959Gentes e rituais

HugoCPhoto_2015-06-24_13-21-21_120 of 525_18943Gentes e rituais

HugoCPhoto_2015-06-25_08-43-12_125 of 525_18948Arrozais e espantalhos em forma de bandeira

HugoCPhoto_2015-06-24_10-05-52_83 of 525_18906Algumas das ruas em Ubud

HugoCPhoto_2015-06-24_09-56-00_75 of 525_18898Por aqui recicla-se!

HugoCPhoto_2015-06-24_09-47-53_73 of 525_18896O meio de transporte preferencial

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HugoCPhoto_2015-06-24_06-10-40_42 of 525_18865O café encontra-se em todo o lado

HugoCPhoto_2015-06-24_05-57-42_30 of 525_18853Detalhes

HugoCPhoto_2015-06-26_11-32-43_351 of 525_19174Gentes e rituais

HugoCPhoto_2015-06-24_05-57-31_29 of 525_18852Gentes e rituais

HugoCPhoto_2015-06-24_05-55-09_24 of 525_18847Tudo é verde e fresco

HugoCPhoto_2015-06-24_05-47-36_14 of 525_18837Pelas ruas de Ubud

HugoCPhoto_2015-06-24_05-38-06_2 of 525_18825Campos de arroz

HugoCPhoto_2015-06-24_06-21-39_54 of 525_18877Campos de arroz

HugoCPhoto_2015-06-24_06-31-47_59 of 525_18882Gentes e rituais – oferendas diárias

HugoCPhoto_2015-06-25_08-54-57_135 of 525_18958Gentes e rituais – oferendas diárias

HugoCPhoto_2015-06-24_11-19-43_100 of 525_18923Os aperitivos

HugoCPhoto_2015-06-24_11-32-10_107 of 525_18930Nasi Goreng Manas

HugoCPhoto_2015-06-24_11-31-46_106 of 525_18929Gado-Gado

HugoCPhoto_2015-06-24_12-09-51_113 of 525_18936Para sobremesa – Black rice pudding

HugoCPhoto_2015-06-24_11-22-19_103 of 525_18926Ena, mais uma foto, que bom, gosto tanto (not!)

Em Ubud não há transportes públicos pelo que ir a qualquer lado significa táxi ou shuttle bus. E isso significa pagar mais mas a vez que optámos por uma tour de um dia inteiro de táxi valeu bem a pena. Vimos enormes arrozais, em terraços, muitos miúdos a lançar papagaios de papel sobrevoando os campos de arroz, fomos a uma plantação de café e provámos café Kopi Luwak depois de digerido e defecado – sim, leram bem – por um bicho simpático e de nome gato Civet. É o café mais caro do Mundo mas eu continuo a preferir Delta, obrigadinha. Pelo caminho vimos muitas cascatas de água embora o acesso às mesmas seja pago.  E ainda passámos, na paragem para almoço, na praia de Lovina de areia negra (vulcânica) que, convenhamos, não impressiona pela positiva.

HugoCPhoto_2015-06-27_10-51-42_14 of 189_18123Campos de arroz

HugoCPhoto_2015-06-27_01-54-24_356 of 525_19179Campos de arroz à beira da estrada

HugoCPhoto_2015-06-27_01-36-30_355 of 525_19178Terraços de arroz

HugoCPhoto_2015-06-26_03-07-43_282 of 525_19105Terraços de arroz

HugoCPhoto_2015-06-27_08-24-00_490 of 525_19313Uma das grandes cascatas da ilha de Bali

HugoCPhoto_2015-06-27_06-59-29_470 of 525_19293Praia de Lovina, com areia vulcânica

HugoCPhoto_2015-06-27_04-55-58_458 of 525_19281Quedas de água por todo o lado

HugoCPhoto_2015-06-27_09-30-40_510 of 525_19333Cacau

HugoCPhoto_2015-06-27_09-33-32_511 of 525_19334O café de Luwak depois de ser defecado e antes de ser separado e torrado

HugoCPhoto_2015-06-27_09-53-17_523 of 525_19346A preparação do café

HugoCPhoto_2015-06-27_09-59-54_1 of 189_18110Degustação de vários tipos de chá e café

HugoCPhoto_2015-06-27_09-35-42_514 of 525_19337Os Luwak

E os templos? O nosso preferido foi sem dúvida o Ulun Danu Beratan Temple. Eis as fotos:

HugoCPhoto_2015-06-27_03-37-47_421 of 525_19244Gentes e rituais

HugoCPhoto_2015-06-27_03-35-17_419 of 525_19242Gentes e rituaisHugoCPhoto_2015-06-27_03-30-48_412 of 525_19235Ganesha no templo Ulun Danu Beratan

HugoCPhoto_2015-06-27_03-29-41_410 of 525_19233Oferendas no templo Ulun Danu Beratan

HugoCPhoto_2015-06-27_03-15-25_394 of 525_19217Gentes e rituais

HugoCPhoto_2015-06-27_03-06-17_375 of 525_19198Templo Ulun Danu Beratan

E ainda deu para ir ver a Monkey Forest. Atiradiços os tipos!

HugoCPhoto_2015-06-24_10-35-20_91 of 525_18914Cuidado com os pertences

HugoCPhoto_2015-06-24_10-33-57_90 of 525_18913É comum vê-los a passear por Ubud

HugoCPhoto_2015-06-26_10-28-51_329 of 525_19152“Faço este aqui mesmo! Quero lá saber!”

HugoCPhoto_2015-06-26_10-16-26_309 of 525_19132Ponte da Floresta dos macacos

HugoCPhoto_2015-06-26_10-08-30_291 of 525_19114Uma das muitas estátuas na floresta dos macacos

HugoCPhoto_2015-06-28_09-10-05_29 of 189_18138Um rapaz a lançar o seu papagaio

A maior proeza de todas foi a minha experiência extra-corporal que consistiu em sentir o mesmo que a lava sente.

Eu explico: este pessoal não é lá muito certo das ideias pelo que decidiu ir ver o nascer do sol no topo de um vulcão já extinto. Isso deu em sair do hotel às 2h30 da matina, ser conduzidos até ao sopé do vulcão e depois caminhar, vulcão acima, durante duas horas às escuras, numa grupeta de gente tão boa das ideias quanto nós. Foi muito bom até porque nos deram pequeno almoço, no topo do vulcão que metia ovos cozidos em buracos escavados no vulcão que, embora extinto, conserva o calor geotérmico. E a parte da lava? Pois, tal como a subir, a descer o terreno é acidentado e consiste, na sua maioria, em cinzas. O calor do sol, recém nascido diante dos nossos olhos, aqueceu-nos corpo e espírito pelo que decidimos fazer uma corrida até lá abaixo. E ia tudo bem até eu, já quente da corrida, ter tropeçado numa raíz e me ter espalhado, tal qual desenho animado, com direito a derrapanço durante 10 metros. Leggings rasgadas, joelhos esfolados e negros, e dificuldade a levantar de tanto rir. Já sei como a lava se sente, também eu já fui cuspida de um vulcão.

HugoCPhoto_2015-06-25_23-23-24_144 of 525_18967No topo do vulcão, sente-se o ar quente por todo o lado

HugoCPhoto_2015-06-25_23-28-14_149 of 525_18972Observando o nascer do sol

HugoCPhoto_2015-06-25_23-33-28_155 of 525_18978O nosso pequeno almoço com os ovos cozidos pelo vulcão

HugoCPhoto_2015-06-25_23-50-21_188 of 525_19011A vista de cima do topo do vulcão

HugoCPhoto_2015-06-25_23-54-01_197 of 525_19020O sol observa-nos

HugoCPhoto_2015-06-26_00-46-11_252 of 525_19075Um dos inquilinos permanentes na nossa descida do vulcão

HugoCPhoto_2015-06-26_01-02-08_262 of 525_19085Iniciou-se a descida do vulcão, sim, antes da queda da Cláudia

HugoCPhoto_2015-06-26_01-08-19_263 of 525_19086A vista pede contemplação

As paisagens, de um verde vivo, fresco e frondoso. E as pessoas são muito mas muito simpáticas.

Optámos por não ir às praias em Bali já que decidimos passar uns dias na fabulosa ilha Gili Meno. E foi, de longe, a melhor decisão balnear dos últimos tempos. É ali, mesmo ali minha gente, que estão as praias mais paradisíacas que encontrámos.  Ali a população é muçulmana e chegámos lá em pleno Ramadão. As praias daquela minúscula ilha estavam quase sempre vazias, as águas eram sempre límpidas e de um azul estrondoso.O único defeito que lhe encontrámos tinha que ver com o preço das refeições. Para os turistas as refeições custavam 10 vezes mais – sem exageros, garanto! – do que aos locais e aos outrora turistas e que, agora, vivem na ilha. É chato porque a oferta não era nem grande nem grande coisa. Adiante.

HugoCPhoto_2015-06-30_10-45-27_73 of 189_18182Gentes e rituais

HugoCPhoto_2015-07-02_07-10-19_178 of 189_18287A vista do restaurante enquanto almoçávamos Nasi Goreng

HugoCPhoto_2015-07-02_06-53-44_170 of 189_18279Até às árvores adoram aquelas praias

HugoCPhoto_2015-07-02_05-22-10_160 of 189_18269Tonalidades

HugoCPhoto_2015-07-02_04-48-21_157 of 189_18266É isto, encontramos a praia que procurávamos

HugoCPhoto_2015-07-02_04-12-02_152 of 189_18261É ou não é lindo?

HugoCPhoto_2015-07-02_04-05-35_141 of 189_18250A vista enquanto tomávamos o café da manhã

HugoCPhoto_2015-07-02_03-57-55_133 of 189_18242O pátio da escola

HugoCPhoto_2015-06-30_11-31-54_127 of 189_18236A vista do lago na ilha

HugoCPhoto_2015-06-30_11-16-47_114 of 189_18223A casa na praia

HugoCPhoto_2015-06-30_11-15-10_111 of 189_18220O pôr-do-sol

HugoCPhoto_2015-06-30_11-06-18_101 of 189_18210As estradas na ilha

Vimos tartarugas e milhares de peixes quando fizemos, por lá, snorkelling mas a melhor de todas as experiências foi a que o Hugo teve com o seu baptismo de mergulho. Vinha absolutamente fascinado pelo mundo subaquático e com tudo o que tinha visto. E viu quatro tartarugas mesmo diante do seu nariz! Por ali há imensa gente estrangeira a tirar cursos de mergulho e que depois se esquece, durante meses ou anos, de voltar para casa. Não admira! E o nosso bronze? Nougat torradinho como nunca tinha visto o meu Calhelha.

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HugoCPhoto_2015-06-30_10-46-43_75 of 189_18184Ó para ele tão torradinho, hein?

Nas Gili ficámos numas cabanas lindas, no meio da ilha, a 200 metros da praia. Vida dura, pá! Fora de brincadeiras, a água não é quente mas para nós bateu as PhiPhi. E é isto. Perfeitas, quase não habitadas e com poucos turistas de festarola. Um deleite!

HugoCPhoto_2015-07-03_11-22-20_182 of 189_18291A nossa cabana ao pé da praia

As ilhas irmãs da Gili Meno, são a Trawagan e a Air. A essas só fomos para apanhar barcos de regresso – de má-vontade, acrescentamos – a Bali. O próximo destino é a Austrália mas contas feitas, o voo a partir de Singapura sai mais em conta pelo que, antes de aterrar em Perth, ainda damos um pulinho a Singapura e aproveitamos para ver o Tiago e respectiva esposa. Temos mesmo que sair da praia? Humpf. Pronto, a gente vai.

 

Singapura

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O tempo piorou substancialmente quando estávamos a sair de Phuket de avião e isso significou uma viagem muito agitada, com muita turbulência à mistura, até Singapura. Do avião – quando não tinha os olhos espremidinhos de cagufa – comecei a ver a tal da Singapura. “Olha Hugo, olha ali!” Singapura é uma cidade mas também é um país.  É o resultado de uma mistura de nacionalidades e culturas que em 1965 e depois de alguma turbulência – bem terrena, neste caso – deu origem a Singapura. Este é, por tal, o ano do seu 50.º aniversário. É uma data que tem sido celebrada com muita pompa – tanta quanto muito dinheiro e muita tecnologia permitem – e circunstância. É, também, a terra do “é proibido sob pena de multa”. Mas também é o local onde vimos mais alertas para a necessidade de denúncia em caso de assédio físico ou psicológico, especialmente contra as mulheres.

HugoCPhoto_2015-06-17_10-44-47_3 of 527_17049Pelas ruas de Singapura

HugoCPhoto_2015-06-17_10-46-09_5 of 527_17051Pelas ruas de Singapura

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HugoCPhoto_2015-06-17_11-13-28_14 of 527_17060Pelas ruas de Singapura

HugoCPhoto_2015-06-17_11-23-59_16 of 527_17062Pelas ruas de Singapura

HugoCPhoto_2015-06-18_08-45-14_118 of 527_17164Para pedir comida num restaurante

Decidimos ir a Singapura porque tínhamos conhecidos a trabalhar por lá e porque é um “hub” de transportes. E é uma cidade muito catita. A língua oficial é inglês, malaio, tamil (do Sul da Índia) e mandarim. Foi giro ver as pessoas, locais mesmo, a conversarem entre si em inglês. É também o local onde muitos expatriados vivem, como é o caso do nosso querido Daniel Casanova. Nenhum de nós sabia muito sobre ele para além da sua óbvia generosidade ao nos ter oferecido a sua casa para que ficássemos. É espanhol e tem muitos amigos, entre os quais uma espanhola e uma mexicana com quem tivemos refeições em torno de discussões acessas acerca de política, economia e futuro. Mas foi na última noite que o Daniel nos disse que apesar de ser de IT é astrofísico, tal qual o pessoal do Big Bang Theory. Eu e o Hugo nunca tínhamos conhecido ninguém da área e ficámos logo com montes de perguntas na cabeça. Bazinga! Ele respondeu a todas e ainda nos explicou o que é, teoricamente, um buraco negro. Uau. Ajudou-nos com possíveis voltas pela cidade e levou-nos sempre a sítios muito giros. A Tânia, outra amiga indirecta, também nos deu boas dicas! Valeu, Tânia!

HugoCPhoto_2015-06-21_10-28-02_481 of 527_17527Piscina do Hotel para cães, aqui há de tudo

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HugoCPhoto_2015-06-18_09-30-14_123 of 527_17169Miúdos a bater recordes nas máquinas

É, provavelmente, a cidade mais hi-tech do Mundo. Mas é, estranhamente, muito simples. A mescla de culturas está bem feita e o novo e o velho ligam-se bem. Há partes da cidade que nos fazem esquecer as super-trees e o Marina Bay e que nos levaram de volta à Índia (bairro Little Índia) e nos fizeram saltar de loja em loja (Joo Chiat Street e Haji Lane, no bairro muçulmano) para ver coisas vintage, cafés com gatos para dar festas enquanto se saboreia o cappuccino. Muito a acontecer. O pessoal por aqui ganha bem e as coisas são bastante caras – se bem que encontrámos coisas que comprámos em Banguecoque a menos 25% aqui em Singapura – mas o estilo de vida é relaxado. As pessoas saem do trabalho e vão para o bar ou fazem exercício junto à Marina. A população é, em grande maioria, chinesa pelo que comidinha boa chinesa há por todo o lado. Especialmente nos food courts, onde almoçámos por cerca de 3,5€, os dois.

HugoCPhoto_2015-06-18_07-55-03_87 of 527_17133Lojas vintage na Haji Lane

HugoCPhoto_2015-06-18_07-56-03_88 of 527_17134Haji Lane

HugoCPhoto_2015-06-18_08-04-24_97 of 527_17143Pelas cores de Haji Lane 

HugoCPhoto_2015-06-18_08-05-11_99 of 527_17145Uma parede fantástica em Haji Lane

HugoCPhoto_2015-06-18_08-12-32_104 of 527_17150Pelo bairro muçulmano

HugoCPhoto_2015-06-18_08-14-52_107 of 527_17153Pelas ruas do bairro muçulmano

HugoCPhoto_2015-06-18_08-25-56_113 of 527_17159Um café com gatos à mistura

HugoCPhoto_2015-06-18_05-42-58_62 of 527_17108Porquê comer caril?!

HugoCPhoto_2015-06-18_05-52-59_64 of 527_17110Templo Indiano no bairro de Little India

HugoCPhoto_2015-06-20_07-49-00_442 of 527_17488Laksa, bom mas picante que se farta!

HugoCPhoto_2015-06-20_07-49-08_443 of 527_17489O melhor roll que já comi

HugoCPhoto_2015-06-20_07-54-17_446 of 527_17492Noodles com carne de vaca à moda de Singapura

HugoCPhoto_2015-06-18_13-56-22_240 of 527_17286Fish Head, uma especialidade

Tem, claro está, uma grande Chinatown, muito perto da zona dos bares e nós gostámos de andar perdidos por ali. Os templos Hindus assumiram aqui uma postura mais robusta e expressiva, algo que não tínhamos dado conta quando passámos pelo Sul da Índia.

HugoCPhoto_2015-06-20_13-54-36_476 of 527_17522Chinatown in Singapore

HugoCPhoto_2015-06-20_13-37-52_469 of 527_17515Templo Sri Mariamman

HugoCPhoto_2015-06-17_13-58-27_43 of 527_17089Templo Thian Hock Keng

Foi o único sítio, perto de Dempsey Hill, onde vimos uma moradia com cinco Ferraris estacionados. Ainda assim, no extremo oposto, também vimos quem dormisse na rua.

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HugoCPhoto_2015-06-21_08-31-33_477 of 527_17523Brunch em Dempsey Hill

HugoCPhoto_2015-06-21_08-35-55_478 of 527_17524Brunch em Dempsey Hill

HugoCPhoto_2015-06-21_08-47-52_479 of 527_17525Brunch em Dempsey Hill

Mas as pessoas vêm a Singapura para ver a tecnologia a trabalhar a favor da cidade. Isso está plasmado no conceito das super-trees que pretende criar maior oxigenação do ambiente. Andámos lá em cima, perto da copa das “árvores” e achámos o máximo. Apesar de ter muitos visitantes é, ainda assim, um local tranquilo onde, esperando até às 18h45 ou 19h45, ainda se apanha um espectáculo de luzes e música.

HugoCPhoto_2015-06-18_12-18-27_195 of 527_17241No topo das super-trees

HugoCPhoto_2015-06-18_12-32-57_219 of 527_17265O anoitecer no Supertree grove

HugoCPhoto_2015-06-18_12-36-58_222 of 527_17268As SuperTrees e o Marina Bay Sands

HugoCPhoto_2015-06-18_13-11-52_235 of 527_17281Durante o espectáculo de luz e som

Apanhámos também um destes na marina com projecção de imagens de um videoclip em jactos de água. Ai, ai dêem-nos luzinhas que a gente gosta!

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Fomos ao jardim botânico, onde têm uma parte em que expõem as plantas indicando os seus benefícios no nosso organismo. E foi por lá que vimos este camaradinha, na sua vidinha.

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HugoCPhoto_2015-06-19_08-49-50_338 of 527_17384À entrada do Jardim botânico

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HugoCPhoto_2015-06-19_08-21-16_314 of 527_17360Johore Fig na floresta tropical dentro da cidade

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HugoCPhoto_2015-06-19_08-50-40_340 of 527_17386“Golden Shower”, a planta que nos pareceu que estávamos a ver em desfocado

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Singapura – ou cidade do leão – tem como símbolo fotogénico, o Merlion, um leão com cauda de peixe que cospe água para o pessoal tirar fotos. E a vista dali mereceu uns quantos cliques, especialmente de noite.

HugoCPhoto_2015-06-19_14-04-43_426 of 527_17472O Merlion, símbolo da cidade

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HugoCPhoto_2015-06-19_14-08-36_429 of 527_17475O imponente Marina Bay Sands

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Disseram-nos, em dado momento, que em Singapura se encontra, querendo, de tudo já que a sua miscelânea de culturas se dá a isso. E é verdade. Vimos de tudo por aqui e aproveitámos o tempo que nos sobrou para descansar e trocar muitos dedos de conversa com quem connosco se cruzava. A conversa foi tão boa que quase nos convenceram a abdicar de ir à Indonésia para ir ao Japão. Queremos MUITO conhecer o Japão mas, desta vez, o budget não consegue esticar tanto. Ficaram, todavia, umas boas sugestões! Por isso, pela boa disposição, pela partilha e pela generosidade, muchas gracias Dani!

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Apesar de ser uma cidade bruta, com os arranha-céus e trânsito constante, foi uma cidade que nos caiu bem. Mas agora é tempo de ir ouvir outras línguas. E a busca pela praia perfeita continua. Tarefa muito desagradável mas alguém tem que a desempenhar, verdade?

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